05 de Novembro de 2026
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Crise da moradia leva manifestantes a ocupar praças em Portugal

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Crise da moradia leva manifestantes a ocupar praças em Portugal

A disparada dos preços dos imóveis e dos aluguéis em Portugal levou manifestantes a ocupar praças públicas em Lisboa e no Porto. Os protestos, que começaram em outubro, denunciam a dificuldade crescente de conseguir moradia no país, onde o custo da habitação aumentou 41,5% entre 2020 e 2025.

Os manifestantes montaram acampamentos com barracas para pressionar o governo por medidas que tornem a moradia mais acessível. A mobilização ganhou força após intervenções policiais para retirar os participantes dos espaços públicos.

Justiça autoriza acampamento em Lisboa

As manifestações começaram há cerca de três semanas, com a ocupação de uma praça na cidade do Porto. Dias depois, o movimento chegou à Praça do Rossio, um dos principais pontos turísticos de Lisboa.

A polícia portuguesa realizou operações para desmontar os acampamentos, alegando ocupação irregular de áreas públicas. Manifestantes denunciaram ações violentas e relataram ferimentos durante as intervenções.

Apesar das retiradas, os participantes voltaram a instalar barracas. No último fim de semana, o Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a permanência do acampamento na Praça do Rossio até 24 de novembro.

Comerciantes da região demonstraram preocupação com os reflexos da ocupação sobre as atividades comerciais, especialmente diante da previsão de instalação de um mercado de Natal no local a partir de 14 de novembro.

Portugal registra uma das maiores altas no custo da moradia

Dados do portal Pordata, ligado à Fundação Francisco Manuel dos Santos, apontam que o custo da habitação em Portugal cresceu 41,5% entre 2020 e 2025.

O percentual coloca o país à frente dos demais integrantes da União Europeia no levantamento citado pela entidade. A Grécia aparece em segundo lugar, com aumento de 37,8%.

A situação é especialmente grave em Lisboa. Um estudo divulgado no fim de 2025, elaborado em parceria com o Deutsche Bank, apontou que o aluguel médio na capital portuguesa corresponde a 116% do salário médio de um trabalhador.

Isso significa que, em média, uma pessoa precisaria comprometer mais do que toda a renda mensal apenas para pagar o aluguel.

O mesmo levantamento considera adequado que as despesas com locação não ultrapassem 30% dos rendimentos.

Brasileiros enfrentam dificuldades para alugar imóveis

A brasileira Priscila Valadão, que também possui cidadania portuguesa, está entre as porta-vozes do movimento. Morando em Portugal há 12 anos, ela afirma que os preços dos imóveis tornaram praticamente impossível viver sozinha em Lisboa.

Segundo Priscila, um apartamento pequeno, conhecido em Portugal como T0, pode custar pelo menos 1.500 euros mensais no centro da capital. O valor supera o salário mínimo português de 920 euros.

Para conseguir pagar as despesas, a ativista mora atualmente na região metropolitana de Lisboa e divide o imóvel com outra pessoa.

Ela também denuncia dificuldades adicionais enfrentadas por brasileiros e outros imigrantes na procura por moradia, incluindo episódios de discriminação e exigências de pagamentos antecipados elevados.

Segundo a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), Portugal abriga cerca de 493 mil cidadãos brasileiros registrados como estrangeiros.

A comunidade brasileira representa aproximadamente um terço da população estrangeira residente no país. O número não inclui brasileiros que também possuem nacionalidade portuguesa ou de outro país europeu.

A Embaixada do Brasil em Lisboa informou que acompanha as manifestações.

Manifestantes cobram mudanças nas regras de aluguel

Entre as principais reivindicações estão o aumento da oferta de habitações públicas, a transformação de imóveis vazios em moradias populares e medidas para conter a especulação imobiliária.

Os participantes também criticam propostas de mudanças na legislação portuguesa de locação, que podem alterar regras de despejo, reajustes e renovação de contratos.

Entre os pontos questionados estão a redução dos prazos para despejos, o aumento das garantias financeiras exigidas dos inquilinos e a possibilidade de proprietários recusarem a renovação automática dos contratos.

Os manifestantes afirmam que as alterações podem ampliar a insegurança habitacional em um momento de forte pressão sobre os preços dos imóveis.

O movimento também defende políticas de controle da inflação e aumento dos salários.

Governo anuncia investimentos de 10 bilhões de euros

O governo português, comandado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, afirma que está adotando medidas para ampliar a oferta de moradias e estimular o mercado imobiliário.

O plano anunciado prevê investimentos de 10 bilhões de euros no setor habitacional, incluindo a construção de 133 mil residências com recursos públicos e financiamento do Banco Europeu de Investimentos.

Montenegro defende mudanças na legislação que, segundo ele, permitam equilibrar os interesses de proprietários e inquilinos.

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, também afirmou que o governo está executando o maior programa habitacional das últimas décadas, com incentivos à construção, apoio à compra e ao aluguel e medidas para colocar imóveis vazios no mercado.

Apesar das promessas, os manifestantes mantêm as mobilizações e cobram soluções mais rápidas para a crise da moradia.

Fonte: Agência Brasil — reportagem de Vitor Abdala, publicada em 3 de novembro de 2026.

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